Eu sou ou estou assim?
Mesmo que tenha paciência pra ler tudo, talvez, ainda assim, não me compreenda... Porque vejo que todas as válvulas estão trancadas e assim, também, minhas vontades e meus desejos. Não corro por que não preciso ou pelo menos acho que não. Não preciso por que não me vejo. Se me visse talvez disparasse pra vida. Meus passos são dados meio que sem direção e são dados só pra evitar a inércia, não têm firmeza alguma, são só passos.
Não quero muito da vida, na verdade quero tão pouco que fica mais difícil de conseguir. Maluco isso não é? Afinal o mundo reza que devemos querer sempre mais, que o Máximo é evoluir até o mínimo de esforço, de caráter e de compaixão possível, por isso vimos tantas manchetes horrorosas nos últimos anos. Não gosto dessas “leis” imposta pela soberba, talvez um dia consiga me libertar disso tudo e me concentrar em mim. Mas o que é preciso pra essa libertação? Fé cega? Paz interior? Meditação? Afinal tudo isso também já foi corrompido pelas “leis” e isso talvez tire o crédito que lhes é devido quanto ao modo de alcançar essa liberdade. E aí? O que nos resta?
Já não tenho mais tanta certeza se tenho ou tive amigos, tenho uma concepção muito sentimental das coisas, um dos meus maiores medos é de que as palavras do meu velho pai sejam verdade. E nesse caso sou apenas mais um tolo emocional a mercê das más intenções do mundo. A amargura das palavras dele sempre me trouxeram temor e hoje esse laço hereditário é mais forte, porém luto com todas as forças contra esse A+ que corre nas minhas veias. E é assim que espero que o mal vença o bem, começando por mim.
Afinal sou um inteiro de duas partes e a outra parte è tão otimista quanto essa é pessimista, tão crédula quanto essa é cética e por aí vai. Em outros textos falo o quanto sou paradoxal e hoje me conhecendo bem ou pelo menos melhor do que ontem, poso ver isso, mas mesmo assim o cotidiano me mostra peso para ambas as partes e, às vezes, tantas são as decepções que no fim do dia o copo me parece meio vazio. Eu não gosto de pensar assim, mas realmente me aflige que por mais que tente ser bom para todos, ainda assim, os mais próximos me considerem insensível a seus alentos. Só me entristeço com quem amo, pois pouco importa as ofensas de quem não me conhece.
No amor um pensamento, uma reflexão me consome. Amor, paixão... Qualquer coisa que me faça sentir o perfume, à falta de gravidade, a espera ansiosa pela hora e a pessoa certa. Essas coisas de nova paixão ou amor antigo. Ainda que o velho amor seja essa nova paixão. Ou que uma nova paixão faça renascer o antigo amor. Não sei como achar, mas sei o que busco nesse setor da vida tão complicado (eu acho). Acho que não é pedir muito, um novo fôlego que me desperte do cinza em que estou envolto pelo amor contínuo que busco no mesmo lugar sem achar.
Será que alguém, um dia, irá me entender? Sou assim tão complicado? Na verdade acho que sofro por ser um simples no mundo dos complexos. Às vezes penso que estou com as pessoas erradas à minha volta, mas é muita pretensão minha, achar que estão todos errados. Então, só me resta achar que ainda não tenha me achado. Porém se pensar assim como posso não ter me encontrado, se sei de tudo que gosto, com exceção às que não conheço, e sei também o que quero ser quando crescer.
Sem achar muitas respostas nisso que escrevi, finalizo agradecendo por ter lido tudo, obrigado pela atenção. Resta-me o consolo que com certeza você conhece um pouco mais desse palhaço que você só ver no picadeiro da vida, onde temos que está sempre maquiados, se não o show não tem graça. Acho que todo palhaço, assim como eu, deve trazer como lema os versos de Francélio Fiqueredo: “Prefiro minhas tristezas às tristezas dos outro, só assim eu sofro menos.
João Jorge
